2005.11.27
O site do Grande Plano Tecnológico para Portugal está no Texas


Do Hridaya: O site do Grande Plano Tecnológico para Portugal está alojado no Texas.

Quando é que os portugueses entendem que qualquer compra deste tipo no exterior constitui uma drenagem injustificada de recursos preciosos para a I&D nacional?
Em Portugal há quem possa prestar um serviço semelhante e com a mesma qualidade. A diferença é que, nesse processo, uma empresa nacional ganharia mais referências, mais experiência, mais dimensão, mais competências. E, com todas estas, poderia criar mais postos de trabalho, investir mais, pagar mais impostos. Mas não só. Com valor e prestígio acrescentado, poderia competir no mercado internacional em melhor posição e contribuir para reduzir o gravíssimo desequilíbrio externo.
Estamos muito mal quando a coordenação do plano tecnológico não percebe isso (e quando são tão poucos os portugueses que reclamam).


Posted at 18:47 by mindthegap
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A História é uma velhota que se repete sem cessar

"A História é uma velhota que se repete sem cessar." Eça de Queiroz.

Só os portugueses parecem não aprender. Não é que o Expresso noticia, com grande destaque, que "vamos ser a horta da Europa"? Já se esqueceram do Thierry Russel? Ou do Cunha e Carmo na Ota?

Espero, sinceramente, que o governo português não dê um único cêntimo para tão imponente investimento. Também gostaria que não lhe desse um minuto de atenção, mas parece que já vou tarde.

E onde está o rigor jornalístico? "um investimento que em fase de cruzeiro atingirá € 2,5 mil milhões"? Que sentido é que isto faz? E qual o retorno? Quantos postos de trabalho qualificado serão criados? E quem nos protege da concorrência de Marrocos, por exemplo? E qual o impacto ambiental? Vamos andar a tropeçar em plásticos de Tróia à Zambujeira, passando por Porto Covo?


Posted at 14:18 by mindthegap
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2005.11.22
Enormidade dos disparates

"A Política é uma actividade fantástica. Dirige o nosso destino colectivo, serve-nos de orientação, referência, apoio. Mas o que a faz mais extraordinária é ser uma das poucas actividades onde se dizem os maiores disparates sem consequências. Há mesmo quem baseie a sua carreira pública precisamente na enormidade dos disparates que consegue dizer."

A citação é de João César das Neves, foi publicada no Diário de Notícias - 21 de Novembro de 2005 e eu nem queria acreditar. É exactamente o que eu penso deste senhor. Só que ele se referia à Política e eu refiro-me à Economia. A quantidade de disparates que ele ensina é fabulosa. Já alguém analisou com cuidado a justificação da racionalidade do homo economicus nas suas sebentas? Ou a invocação constante do nome de Deus para as coisas mais terrenas?

A única coisa que o defende é que, no domínio económico, é muito difícil calcular as consequências das suas barbaridades.

João César das Neves, ponha a mão na consciência e avalie se não é o caso de toda a sua carreira pública se basear "precisamente na enormidade de disparates que consegue dizer". E é certo que lhe temos de reconhecer uma grande capacidade.

Posted at 09:52 by mindthegap
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2005.10.17
O país de Afonso Domingues

A abóbada do Mosteiro da Batalha só foi fechada muitos anos depois de mestre Afonso Domingues morrer. Mas a lenda, inventada por Alexandre Herculano, mostra o que este país exige aos seus empreendedores: que morram para provar a sustentabilidade das suas soluções inovadoras.

Posted at 14:15 by mindthegap
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2005.08.25
Ardeu a casa dos meus bisavós

Estava em pé há mais de 120 anos. Ardeu com um auto-tanque dos bombeiros ao lado, cheio de água. Ardeu porque os bombeiros não tinham ordens para gastar a água. Mesmo havendo, ao lado da estrada e a uma centena de metros, um depósito construído pela associação local de regantes, com água para mais de 10 carros de bombeiros! Mesmo sendo evidente que o vale, com água, estradas e hortas, era o sítio ideal para suster o fogo, que viria a causar danos ainda durante muitos mais dias.
Os bombeiros defendem a floresta? Os bombeiros defendem a população? Em todo o vale, apesar dos depósitos dos regantes, não se viram gastar uma gota de água.
Há um défice de coordenação, há um défice de colaboração com as populações e há um défice do governo ao avaliar o impacto dos incêndios. O ambiente descontraído do Conselho de Ministros em Coimbra só tem paralelo com a boa disposição cínica do porta voz da Nato ao anunciar os bombardeamentos na ex-Jugoslávia. Independentemente das razões e dos argumentos, há pessoas a sofrer e a morrer que mereciam mais respeito.

Posted at 18:16 by mindthegap
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2005.06.23
O Presidente da República pôs o dedo na ferida!

«Não fizeram uma única menção ao capital de risco ou à posição da banca no que respeita a arriscar qualquer coisa nas empresas que querem inovar», lamentou Jorge Sampaio, durante um debate, na Unicer, sobre «A Inovação como Chave da Modernização da Economia».  «Eu não sou antibanca, antes pelo contrário, mas esta volta tem que ser dada», rematou o chefe de Estado.  Sampaio acusou a banca de preferir incentivar a compra de automóveis, dando a entender que «isto é uma maravilha. Não é nada. É um embuste», denunciou. Afirmou que os bancos não estão dispostos a apoiar as empresas que queiram inovar, mas para financiar a compra de um automóvel «é fácil» - Jornal de Negócios, 21 de Junho de 2005


O Presidente da República pôs o dedo na ferida. Só poderá ter falhado por ser demasiado preciso no seu alvo. Não há, efectivamente, razão para atribuir mais responsabilidades à banca do que a qualquer outro agente ou grupo de agentes económicos.

Mas a modernização da Economia exige, e exige urgentemente, um novo modelo de decisão em Portugal. Um modelo em que os decisores não tenham vistas tão limitadas que apenas vejam o seu retorno imediato ou a sua função específica.

Um modelo que integre, em cada momento de decisão, uma dimensão mais global: esta opção contribui, ou não, para reforçar a economia e desenvolver o país em que trabalho?

E, neste novo modelo, todas as decisões contam!

Se todos os decisores continuarem, como têm defendido (e como a opinião pública tem aceite) que essa "não é a nossa função", o país continua a afundar-se. No caso da banca, por exemplo, a preocupação natural com a minimização do risco e com a maximização dos lucros ("a sua função"), tem de ser enquadrada com a necessidade de contribuir para uma estrutura financeiramente saudável da economia portuguesa. (Aliás, é essa preocupação com a envolvente que faz a banca patrocinar o S. Carlos ou o Museu de Arte Antiga.)

Foi o sentir da necessidade de um novo modelo de decisão que, legitimamente e no pleno exercício das suas funções (mesmo as específicas :-)), levou o Presidente da República a efectuar aquela referência. E, tendo falado na presença e na sequência da intervenção de um dos maiores decisores na banca nacional, está de acordo com os mais elementares princípios da frontalidade que tenha focado as decisões na banca.

O que não faria sentido seria, na presença da banca, atribuir responsabilidades aos professores. E não há dúvida que incentivar o crédito ao consumo, independentemente de constituir ou não uma actividade lucrativa, tem riscos na sustentabilidade económica do país.

Mas poucos decisores estão isentos de responsabilidades.

1º Caso:
Os reitores das Universidades de Lisboa, que tanto sentem a necessidade de criar parcerias entre as universidades e as empresas, de modo a valorizar o potencial de investigação e de conhecimento existente no país, não hesitaram, há 3 anos atrás, em comprar um sistema de informação de gestão de uma multinacional por mais de 8 milhões de euros.

Cabia-lhes apenas escolher um sistema de informação? Ou cabia-lhes também a tarefa, muito mais exigente, de contribuir para o reforço da inovação nacional (beneficiando, até, de todas as vantagens que uma maior proximidade induziria na qualidade do seu sistema de informação)?

2º Caso:
O investimento estruturante da Ford e da Volkswagen no sector automóvel não teve paralelo com nada do que anteriormente o IDE tinha realizado no nosso país. No entanto, foram precisos anos para que os carros produzidos na Auto Europa (em Palmela, Portugal) deixassem de ser prejudicados nas portagens!

Neste caso, também o legislador se limitou a desempenhar o seu papel, com a isenção e a objectividade que lhe são requeridas. Mas seria importante tomar consciência de que esse seu papel não foi neutro, foi negativo para a economia nacional.

Uma última nota:
O facto de a reacção pública ter sido suficientemente forte para a Presidência da República não querer comentar mais o assunto, é motivo de grande preocupação para todos os que se preocupam com o futuro do país. É que não se consegue mudar nada, não se consegue desenvolver, equilibrar, modernizar, inovar ou o que quer que sejam os nossos objectivos, sem assumirmos colectivamente que os decisores deste país andaram, anos e anos, a decidir mal. Embora, sempre, confortavelmente escudados no que é "a sua função".

Posted at 11:28 by mindthegap
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2005.06.16
A forma mais lenta (e mais perigosa) de implementar alguma coisa

Implementação acelerada do POCP, nomeadamente nos serviços integrados, enquanto instrumento fundamental de controlo da despesa pública, que permitirá avaliar os custos unitários dos serviços, promovendo o acompanhamento de custos e de ganhos de eficiência no que respeita aos recursos financeiros e patrimoniais. - Programa do XVII Governo Constitucional (chefiado pelo Eng. José Sócrates)

Tarda a definição do Governo PS relativamente ao projecto de implementação do POCP (Plano Oficial de Contabilidade Pública), herdado do governo anterior (na realidade, a legislação vem de 1997!).

Para já, parece que o projecto continua a ser gerido centralmente, pelo Instituto de Informática do Ministério das Finanças, e tem todos os vícios que garantem que nem dez anos depois de sair a legislação, venha a haver POCP na maioria dos organismos públicos.

Senão, vejamos:
1. O Instituto de Informática só está a trabalhar com 7 organismos piloto (tinha contratado para 10, mas não terá arranjado outras "vítimas")
2. No entanto, para que o POCP não ande depressa demais, decidiu que ninguém pode usar outro sistema que não aquele que está a ajudar a desenvolver
3. Decidiu e mandou. Fez sair uma circular, na qual a DGO e o próprio Instituto de Informática (teria legitimidade para isso?) impedem a aquisição de quaisquer outros sistemas de POCP.

Ora, ao ritmo de 7 organismos por ano (segundo o próprio, em entrevista à Interface, a capacidade do Instituto de Informática não dá para mais!), daqui a 80 anos temos POCP!

Não é esta a forma mais lenta de implementar qualquer coisa? chamando a si a responsabilidade e, depois, não mostrando capacidade para desenvolver o que lhe é pedido (nem para seleccionar fornecedores)?

No fim, apesar de terem escolhido a "solução" mais cara do mercado, ainda vão defender que a aquisição em bloco poupa dinheiro ao Estado. Acabei de ouvir esta da parte do presidente do Instituto de Informática e dita à frente do Senhor Presidente da República!

Poupa em relação a quê? Às outras propostas em concurso, é mentira. Eventualmente, o fornecedor ter-lhe-á dito que, se não fosse em bloco, a aquisição seria mais cara. Mas isso é razoável, os monopólios valem muito dinheiro e todos os fornecedores estão dispostos a perder alguma coisa de início para poderem afastar toda a concorrência. A prazo, os monopólios dão sempre lucro!

Não questionando a qualidade técnica de quem lá trabalha, acham que se pode esperar, ainda, alguma coisa do centralismo que o Instituto de Informática tem representado? Reparem que este modelo nem conseguiu criar em 8 anos um sistema de POCP. Algo que um número significativo de empresas com orçamentos incomparavelmente inferiores conseguiu.

E o POCP era uma ambição central da DGO e do MF. Nem há desculpas por terem desviado recursos para projectos mais relevantes, porque este era o projecto mais relevante a cargo do Instituto de Informática.

Mas o problema maior é que o Instituto de Informática (e todo o Estado, através dele) está totalmente nas mãos do seu fornecedor, uma vez que com a sua circular aniquilou a concorrência. Não tem outro remédio senão aceitar todas as condições e os atrasos que este lhe impuser

Do governo do choque tecnológico espera-se, rapidamente, que acabe com a ineficiência, a irracionalidade económica, o despesismo e a ineficácia que o Instituto de Informática quer impor com o seu projecto de implementação POCP.


Posted at 14:52 by mindthegap
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2005.06.09
Henrique Neto tem razão

O presidente do Parlamento, Jaime Gama, recebeu uma carta do proprietário da Iberomoldes e ex-deputado do PS, Henrique Neto, onde é questionada a opacidade dos recentes negócios da Defesa ...
Público - 8 de Junho de 2005

Henrique Neto tem razão. Muitos dos negócios dos ministros do CDS são algo obscuros. O Sistema de Informação de Gestão da Defesa Nacional, imposto por um Despacho discreto do Ministro Paulo Portas, em Agosto de 2002, sem concurso público, que custos teve e quem beneficiou? E, já agora, já deu alguns resultados?

Posted at 15:58 by mindthegap
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2005.05.29
Estaríamos todos enganados?

O défice português era de 6,83 por cento em Março. O anúncio foi feito pelo ministro das Finanças, Campos e Cunha, após o encontro de Vítor Constâncio com o primeiro-ministro, que serviu para a entrega do relatório sobre o estado das contas públicas. Para terça-feira está marcado um Conselho de Ministros extraordinário com vista à aprovação de medidas de combate ao défice. TSF - 2005-05-23

Quando, em 20 de Fevereiro de 2005, os portugueses deram uma vitória histórica ao PS estariam todos enganados? Este país, já na altura, não tinha futuro? A única "solução" era "mais do mesmo"?

Quando festejaram, festejaram o quê? A mudança de pessoas? O carácter e a simpatia de José Sócrates em relação ao carácter e à simpatia de Santana Lopes? Ou a esperança de um país com futuro, tecnologicamente mais avançado, socialmente mais exigente?

Pelo menos dois milhões e meio de portugueses esperavam uma mudança para melhor. E esperavam-na porque a sentiam, no seu dia a dia, realizável, concretizável, viável. Não por mera fé!

Será possível que estivéssemos todos errados? Já passou o tempo em que as sociedades dependiam quase inteiramente da capacidade dos seus governantes. Agora, somos todos nós que fazemos o nosso país. Temos de ser capazes de distinguir entre os bons e os maus políticos, entre os bons e os maus economistas, entre os bons e os maus cidadãos.

E, num esforço constante, continuarmos a mostrar que não é possível que estivéssemos todos enganados!

Quem estará enganado é quem, por facilitismo ou reduzida competência, se limitar a soluções que já demonstraram a sua ineficácia.

Posted at 10:47 by mindthegap
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2005.05.26
Nota de Abertura

O que fazer para superar, de uma forma inovadora, os vários défices com que a sociedade e a economia portuguesa se confrontam, neste início de século? Como não ser um espectador passivo ou uma vítima impotente das conjunturas? A solução é “mind the gap”: ter sempre presente que há uma diferença entre "o que Portugal é" e "o que quer ser", e que é necessário um salto para o concretizar.


Posted at 13:12 by mindthegap
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